Prevenção ao Cancer de Intestino

Câncer de intestino e a importância do diagnóstico precoce

4 de julho de 2014

O câncer de intestino (termo usado para tumores malignos do cólon e do reto) é muito frequente, principalmente após os 50 anos, e ocorre de forma semelhante em ambos os sexos. Segundo o INCA (Instituto Nacional de Câncer), são previstos 32.600 novos casos da doença em 2014 no Brasil, com 14.016 mortes.

A incidência é muito maior nos Estados Unidos do que no Brasil, com a previsão de 96.850 novos diagnósticos. Não é que haja mais desse tipo de câncer naquele país; o fato é que lá o acesso da população a exames para diagnóstico precoce é muito maior, enquanto no Brasil muitos casos não são detectados.

Entre os fatores de risco para o câncer de intestino, podemos destacar: idade superior a 50 anos; alimentação pobre em frutas, fibras, vegetais, cálcio e ácido fólico; alimentação rica em gordura animal (carne vermelha, manteiga, leite integral, queijos e creme de leite – por exemplo); ingestão de bebidas alcoólicas diariamente e/ou tabagismo; histórico de parentes de primeiro grau (pai, mãe, irmãos e filhos) com diagnóstico de câncer de intestino em idade inferior a 60 anos; mulheres com diagnóstico de câncer de mama, endométrio e ovário; diagnóstico de colite ulcerativa ou Doença de Crohn (doenças inflamatórias do intestino); doenças hereditárias como a Polipose Familiar do Cólon e o Câncer Coloretal Hereditário, que acomete pessoas jovens da mesma família e sedentarismo.

Sintomas

Os sinais e sintomas relacionados ao câncer de intestino são inespecíficos e podem ser confundidos com muitas outras doenças. Os mais frequentes são: presença de sangue nas fezes ao evacuar ou após a evacuação; diarreias ou constipação intestinal; dor e desconforto abdominal frequentes; fraqueza por anemia que não se acha a causa e perda de peso sem motivo.

Prevenção

A prevenção do câncer de intestino é feita exclusivamente com a mudança de hábitos de vida – alimentação saudável, ingestão de fibras, vegetais, frutas e poucas carnes (principalmente a carne vermelha).

É importante ressaltar que nem todos os tumores apresentam esta possibilidade de prevenção, mas o câncer de intestino tem, e a mudança dos hábitos de vida tem um impacto muito positivo na redução da incidência da doença.

Pessoas que pertencem a grupos de risco ou que apresentam os sintomas já citados devem procurar um médico gastroenterologista para orientação e realização dos exames adequados.

Diagnóstico

O exame de colonoscopia faz a confirmação do diagnóstico e detecta lesões benignas e malignas no intestino. Os pólipos podem ser tumores malignos em fase inicial e devem ser removidos e enviados para análise anátomo-patológica. Caso a pessoa apresente pólipos na colonoscopia, esta deverá ser repetida a cada ano ou conforme orientação do médico.

Embora segura, a colonoscopia só deve ser indicada com maior frequência para pessoas com risco de desenvolvimento do câncer de cólon, como as que sofrem de doenças inflamatórias intestinais (Doença de Crohn, retocolite ulcerativa e outras) e famílias que apresentam vários membros com múltiplos pólipos intestinais (polipose familiar).

Além desses e de outros grupos de risco menos comuns, os parentes de primeiro grau de mulheres e homens que tiveram câncer de cólon precisam ser acompanhados com mais cuidado e a partir de uma idade mais precoce.

Aqueles que não pertencem a nenhum grupo de risco nem tiveram parentes com câncer de cólon devem fazer a primeira colonoscopia entre os 50 e os 55 anos, idade em que o risco se torna significativo. Se nesse exame forem encontrados e retirados um ou mais pólipos, a colonoscopia deverá ser repetida no ano seguinte.

Outro exame que pode ser solicitado para pessoas de 50 anos ou mais, que não têm histórico familiar e não apresentam sintomas, é o exame de pesquisa de sangue oculto nas fezes. Este exame é feito com a análise das fezes pelo laboratório de análises clínicas, através de solicitação médica.

Hoje, com o avanço na medicina especializada e as novas técnicas de Biologia Molecular, o diagnóstico de câncer do intestino é também baseado na análise de mutações em diversos genes, entre os quais as famílias K-RAS e N-RAS. O estudo genético é fundamental para o entendimento do tipo de câncer e também para o desenvolvimento de novos medicamentos para o tratamento individualizado do paciente. Recomenda-se a pesquisa genética mesmo em pessoas saudáveis que tenham parentes próximos com esse e outros tipos de câncer, para que adotem medidas preventivas.

Fonte: Hoje São Paulo