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Mulheres doam mais órgãos em vida

Número de mulheres que doaram órgãos entre 2010 e 2015 foi de 12% maior do que de homens. Esposas, mães, filhas, irmãs, sobrinhas. Quanto mais próxima a relação de parentesco, maior a probabilidade de sucesso na cirurgia e menor o risco de rejeição.

Publicado em: 15.04.2015 às 5:07 pm

Número de mulheres que doaram órgãos entre 2010 e 2015 foi de 12% maior do que de homens

Que as mulheres são o sexo forte, todo mundo já sabia. No entanto, apesar de parecerem mais frágeis, é comprovado que as mulheres também são mais corajosas quando o assunto é doação de órgãos. De acordo com um levantamento realizado pelo Laboratório LIG Diagnósticos, único no Espírito Santo credenciado pelo Ministério da Saúde para realizar exames para transplante, nos últimos cinco anos, 56% dos doadores de rins em vida foram mulheres.

Esposas, mães, filhas, irmãs, sobrinhas. Quanto mais próxima a relação de parentesco, maior a probabilidade de sucesso na cirurgia e menor o risco de rejeição. As irmãs, por exemplo, são as que mais doam, em 63% dos casos, seguidas pelas mães, doadoras em 15% dos transplantes feitos por mulheres.

Para a Supervisora Técnica Laboratorial do LIG Diagnósticos, Márcia Biccas, essa é uma tendência observada ao longo dos 28 anos de profissão. “As mulheres são mais desprendidas quando o assunto é ajudar o próximo, e quando este é seu marido, filho ou irmão, elas são as primeiras a se voluntariarem para realizar a cirurgia. No geral, também são mais corajosas e aguentam melhor os procedimentos”, destaca. Mas os homens não ficam para trás. Dentre os doadores homens, 13% são pais que doaram para seus filhos e filhas e 5% são filhos que doaram para seus pais e mães.

Em 2010 o Espírito Santo ocupava a 3ª posição no ranking nacional de transplantes, com um desempenho significativo na área. Os transplantes de rins, particularmente, são realizados pelo Hospital Meridional e Hospital Evangélico de Vila Velha, em um trabalho conjunto com a Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos do Espírito Santo da Secretaria de Estado da Saúde (CNCDO/ES).

Uma história de amor

Rosângela Catarina Martinelli da Fonseca, doou seu rim para a filha, Naiara Martinelli Ferreira da Fonseca, de 27 anos, que já fazia hemodiálise há dois anos. Para Rosangela, o sentimento materno transpõe barreiras. “Tudo que estiver ao meu alcance para prolongar e melhorar a qualidade de vida dos meus filhos, eu farei. O amor de mãe sempre fala mais alto e vendo o sofrimento dos outros pacientes que já faziam hemodiálise a mais tempo, percebi que a melhor saída era o transplante. Corri atrás de médicos e exames e quando foi comprovada a compatibilidade, não pensei duas vezes. Minha filha nunca usou a doença como impecilho para a vida, então fiquei muito feliz de poder fazer isso por ela”, relata.

Rosangela acredita que gestos como este podem incentivar a prática de doação de órgãos. “Poder servir de exemplo para outras mães e mulheres abraçarem a causa do transplante é importante. Temos que mobilizar a sociedade a cada vez mais se cadastrarem como doadores de órgãos. Este já seria um grande passo para por fim ao sofrimento de outras mães e, principalmente, de pacientes”, reflete.

Laboratório credenciado

Há mais de 30 anos no mercado, o LIG Diagnósticos Especializados é referência em testes de Biologia Molecular para diagnóstico de Doenças Genéticas e Infecções e o único laboratório capixaba credenciado pelo Ministério da Saúde para realizar exames de Histocompatibilidade e Imunogenética, utilizados para transplantes de órgãos.

O LIG Diagnósticos Especializados realiza mais de 20.000 exames genéticos de alta tecnologia por ano, sendo a maioria em parceria a Secretaria de Estado da Saúde (SESA).

Procura-se doador

Atualmente 92,6% da população do Espírito Santo entre 18 e 55 anos não é doadora de medula óssea. Isso representa 1,66 milhões de capixabas. O dado é do Laboratório LIG Diagnósticos, que há 35 anos realiza exames de Histocompatibilidade para transplante de órgãos e tecidos e é o único do Espírito Santo credenciado pelo Ministério da Saúde nessa área. “No Brasil, o número de doadores inscritos subiu de 12 mil em 2000, para 3,5 milhões em 2014, mas ainda não é o suficiente. Muita gente ainda precisa se tornar doador, se considerarmos que a população adulta, entre 19 e 59 anos, no Brasil é de aproximadamente 110 milhões. A maioria das pessoas que entram no cadastro nacional de doador é devido a algum caso na família ou entre amigos. Do contrário, é comum a população não ter sequer conhecimento sobre o assunto”, pondera a Supervisora Técnica Laboratorial do LIG, Márcia Biccas.

Você sabia?

O transplante de órgãos provenientes de doadores falecidos pode ser capaz de salvar ou melhorar a qualidade de vida de pelo menos 25 pessoas, caso todos os órgãos sejam aproveitados. De acordo com a Supervisora Técnica Laboratorial do LIG Diagnósticos, Márcia Biccas, um doador falecido pode doar coração, rins, fígado, pulmões, pâncreas, intestino, córneas, medula óssea, pele, valva cardíaca, ossos e esclera ocular. “Quando a doação é realizada com doador vivo, um paciente pode receber medula óssea, células pancreáticas, rim, parte do fígado ou do pulmão. Em outros casos, como doação de pâncreas, fígado ou pulmão inteiros, coração, é necessário que o doador tenha sido diagnosticado com morte encefálica”, afirma.