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Primeiro transplante de órgãos no Estado completa 33 anos

Atualmente existem mais de mil pessoas aguardando um órgão na fila de transplantes no Espírito Santo

Publicado em: 12.12.2015 às 1:43 pm

Hoje (12), comemora-se o aniversário de 33 anos do primeiro transplante de órgãos com doador falecido no Espírito Santo. A data é um alerta à população capixaba sobre a importância em avisar à família do desejo de se tornar um doador de órgãos após a morte.

Segundo a supervisora técnica laboratorial do LIG, único do Estado certificado pelo Ministério da Saúde para realizar exames de transplantes, Márcia Biccas, houve uma queda de 10% no número de transplantes desde 2012, ano após ano. “Esse dado é preocupante. O número de doadores caiu consideravelmente e o número de pacientes a espera de um órgão só aumenta”, destaca.

Como não é necessário nenhum documento oficial, é imprescindível que o cidadão informe à família, pois somente ela poderá autorizar o procedimento. No Brasil, foram realizados 5.891 transplantes de órgãos, 25.860 de tecidos e 1.388 de medula óssea entre janeiro e setembro de 2015. Apesar de o país ser destaque no cenário de doação mundial, possuindo o maior sistema público de transplantes do mundo, o número de pacientes que aguardam na fila de espera ainda é alto. No Espírito Santo, o transplante de órgãos é realizado desde 1976, mas o primeiro transplante com doador falecido no Estado foi somente em 1982.

Rubens de Paula Gavi, de 65 anos, recebeu um fígado há 11 anos e, segundo ele, sua vida mudou de lá pra cá. “Eu tinha 20% de chances de sobreviver sem um fígado novo. Eu não conseguia sequer realizar viagens na época. E graças a essa pessoa que me doou o órgão, uma menina de 17 anos que sofreu um acidente de moto, eu ainda estou vivo e consigo levar minha vida normal, tomando os remédios nos horários certos e realizando os exames periodicamente”, destaca. Rubens teve cirrose hepática e ficou quatro anos na fila de transplante, sendo o primeiro transplantado de fígado do Estado, em janeiro de 2005.

O nefrologista Dr. Lauro Vasconcellos esteve na equipe que realizou o primeiro transplante de rim com doador vivo no Estado, em 1976, tornando o Espírito Santo o 5º estado brasileiro a iniciar o Programa de Transplante. Segundo Dr. Lauro, grandes avanços já foram alcançados ao longo deste tempo. “Criamos uma central de captação de órgãos, fundamos a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), aprovamos a lei dos transplantes e criamos o Programa Nacional de Transplantes – coordenado pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT). Hoje, o Brasil tem o maior programa público de transplantes do mundo ocidental. No Espírito Santo, auxiliamos na criação dos programas de transplantes de fígado e coração. Quem acompanhou toda a evolução pôde assistir a um processo gradual de avanço tecnológico, legal e de conscientização da sociedade”, afirma.

Presente em todo o processo de transplantes há 35 anos, o LIG surgiu da necessidade de um laboratório que fizesse exame de histocompatibilidade para transplantes. Segundo a diretora, Lúcia Biccas e Vasconcellos, já haviam alguns transplantes realizados no Estado, mas todos eram feitos com doadores vivos, por equipes que vinham de outros estados e os exames também eram realizados fora. A partir de dezembro de 1980 os testes passaram a ser feitos no LIG, e em 12 de dezembro de 1982 foi realizado o primeiro transplante de órgãos no Espírito Santo com um doador falecido. “Naquela época tudo era muito difícil. Estávamos engatinhando ainda e contamos com a ajuda de muitas pessoas para que o laboratório funcionasse plenamente. Recebíamos reagentes de outros países, preparávamos in house vários materiais de consumo e utilizávamos recursos pessoais para manter o laboratório funcionando, agilizando assim o processo no Estado”, destaca.

Para Dr. Lauro, a seriedade, comprometimento e dedicação de toda a comunidade transplantadora é peça fundamental no processo, pois dela depende a doação dos órgãos para os transplantes. “A grande maioria das famílias se dizem a favor da doação, entretanto quando estão diante da realidade, no processo da retirada dos órgãos, não autorizam com a mesma frequência.  Vários sãos os fatores implicados mas a agilidade do processo pode ajudar em muito a diminuição das negações”, pondera.

No Espírito Santo, dois hospitais realizam transplante de órgãos sólidos como rim, coração e fígado. Cinco instituições fazem transplante de córnea e um hospital faz transplante de medula autólogo, ou seja: do paciente para ele mesmo. Existem cerca de 40 Comissões Intra-Hospitalares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT’S) em todos os hospitais do Estado.