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Setembro Verde – Mês de Conscientização da Doação de Órgãos

Entenda como funciona a doação de órgãos no Brasil

Publicado em: 2.09.2019 às 1:30 pm

Como ser doador
O ideal é manifestar a vontade de doar e informá-la à família. Não adianta deixar o desejo expresso por escrito nem um registro – mesmo gravado em vídeo ou declarado em uma rede social, por exemplo. A decisão final é dos familiares: são eles que definirão se e quais órgãos e tecidos serão doados.

Quando a doação é possível
Não é qualquer tipo de morte que viabiliza a doação. Para que os órgãos possam ser transplantados, é preciso que sejam retirados enquanto o coração ainda bate artificialmente – o que só é possível em casos de morte encefálica, quando todas as funções do cérebro param de maneira completa e irreversível. Essa é a definição legal de morte. Quando cessam todas as funções neurológicas, o organismo é mantido “vivo” com a ajuda de aparelhos. Como ainda há uma pulsação e o corpo ainda está quente, há dificuldade de os familiares entenderem que aquela pessoa não vai voltar.

Quem pode e quem não pode doar
Há critérios de seleção destinados a impedir que órgãos pouco saudáveis sejam utilizados em transplantes. A idade não costuma ser um deles: crianças e idosos podem ser doadores, assim como qualquer pessoa que tenha tido a morte encefálica confirmada. Mas a causa da morte e o tipo sanguíneo do doador, entre outros fatores, ajudam a definir quais partes de um corpo poderão ajudar outras pessoas. No Brasil, só há restrição absoluta à doação de órgãos por parte de pessoas com aids, com doenças infecciosas ativas e com câncer.

Transplante de intervivos
Existem dois tipos de doação: de falecidos e de intervivos, que ocorre quando há duplicidade de órgãos, como rins, pulmões ou uma porção do fígado. O transplante é permitido entre familiares desde que não comprometa a saúde do doador.

Como funciona

A doação consiste na retirada cirúrgica de órgãos ou tecidos saudáveis de um recém-falecido e sua posterior reposição no corpo de uma pessoa doente, o receptor. Na morte encefálica, órgãos e tecidos podem ser doados. Nos casos em que o coração para, somente tecidos podem ser transplantados.

Órgãos que podem ser doados: coração, pulmão, fígado, rim, pâncreas e intestino.

Tecidos que podem ser doados: córneas, ossos, pele e válvulas cardíacas.

Doação em vida: um dos rins, parte do fígado, parte do pulmão e parte da medula óssea.

Pela lei, parentes de até quarto grau — pais, irmãos, netos, avós, tios, sobrinhos e primos — e cônjuges podem ser doadores entre si em vida. No caso de receptores que não são parentes, o transplante só pode ser feito com autorização judicial.

As etapas da doação

DIAGNÓSTICO
A morte encefálica do paciente é determinada.

AUTORIZAÇÃO
A família é avisada e, se decidir pela doação, precisa assinar termo por escrito, diante de testemunhas, para autorizar a retirada de órgãos.

ENTREVISTA
São feitas entrevistas com familiares para investigar o histórico clínico e rastrear possíveis doenças do doador.

RETIRADA
Ocorre a cirurgia para retirada dos órgãos. Aqueles que a família optou por doar são preservados em solução refrigerada enquanto se define o receptor.

TRANSPORTE
Na central de notificação do Estado onde ocorreu a morte, descobre- se qual é o receptor mais adequado. Ele é avisado e deve se deslocar ao hospital com urgência.

CIRURGIA
No hospital, o receptor passa por um pré-operatório para receber o órgão. Então, é feito o transplante.

RECUPERAÇÃO
Finalizada a cirurgia, o receptor precisa passar a tomar medicamentos para evitar a rejeição do órgão.

Poucas horas

Dentre todas as etapas, ainda é preciso correr contra o tempo para levantar informações sobre o histórico do paciente morto e avisar o possível receptor de que há um órgão disponível. Em alguns casos, não mais do que poucas horas podem separar a retirada do órgão do corpo e o transplante para o paciente.

Tempo que o órgão ou tecido pode permanecer fora do corpo:

Coração – 6 horas
Pulmão – 6 horas
Fígado – 24 horas
Pâncreas – 24 horas
Rim – 48 horas
Osso – 5 anos

Fonte: GZH