Notícias

« Voltar

SUPLEMENTAÇÃO DE ÁCIDO FÓLICO E GRAVIDEZ

A suplementação de ácido fólico é benéfica para a gestante e para o bebê, especialmente nos três primeiros meses de gravidez.

Publicado em: 16.08.2018 às 4:55 pm

O ácido fólico é uma vitamina do complexo B, que atua no processo de multiplicação das células e na formação da hemoglobina. Ocorre nas folhas verde-escuras usadas na alimentação, na forma de folato, mas é mal absorvido pelo organismo. Por isso, a ingestão da forma sintética (ácido fólico) pode ser necessária, e sua suplementação é benéfica para a gestante e para o bebê, especialmente nos três primeiros meses de gravidez.

Nos primeiros 30 (trinta) dias da gravidez, quando muitas vezes não se tem ainda o diagnóstico clínico de gestação, desenvolve-se o tubo neural (que originará a medula espinhal e o encéfalo), os ossos e a pele do bebê. O suplemento de ácido fólico nesse período tem como objetivo principal proteger contra malformações de fechamento do tubo neural, que podem levar, nos casos mais graves, à anencefalia, que consiste na ausência total ou parcial da calota craniana (crânio e couro cabeludo) e do cérebro.

Essa ação protetora do ácido fólico na gravidez foi confirmada há décadas, e levou o Ministério da Saúde a exigir adição de ácido fólico à farinha de trigo no Brasil, desde 2004. Mesmo assim, os alimentos ingeridos diariamente pela maioria das mulheres em idade fértil não contem quantidade suficiente dessa substância para proteger sua gestação contra Defeitos de Tubo Neural (DTN). Para obter a quantidade diária recomendada, a maioria das mulheres necessita de suplementação regular com ácido fólico sintético, para aumentar as chances de uma gravidez saudável e minimizar a possibilidade de ter uma criança com malformações.

Sabe-se hoje que a deficiência de ácido fólico na gestante pode levar ao acúmulo de homocisteína no plasma. Esse acúmulo pode desencadear hipertensão, descolamento prematuro de placenta, abortos espontâneos de repetição, partos prematuros, pouco crescimento do feto e baixo peso do bebê recém-nascido, além de algumas doenças crônicas cardiovasculares, cerebrovasculares, demência e depressão. Por tudo isso, a mulher que planeja engravidar deve, antes, ingerir ácido fólico diariamente, e manter essa suplementação ao longo dos primeiros três meses de gravidez.

Entretanto, apesar de já se ter confirmado o efeito protetor do ácido fólico na gestação, o uso dessa substância foi relacionado ao autismo por diversos meios de comunicação e redes sociais, assustando muitas mulheres.

Há realmente vários trabalhos na literatura médica sobre ácido fólico e autismo. Foi feita uma revisão sistemática de 22 estudos sobre o tema, e publicada em novembro de 2016. Essa revisão estabeleceu que o uso do ácido fólico durante a gestação, na dosagem adequada e recomendada de 400 microgramas, tem efeito protetor quanto ao desenvolvimento de autismo, ponto que todos os estudos concordam. Portanto, não é um fator de risco. Como quase sempre se verifica, o problema está na falta de informação correta.

A Sociedade Brasileira de Genética Médica e Genômica (SBGM), com base nesses estudos, se posicionou a favor do uso de ácido fólico nas mesmas recomendações realizadas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) e pelo American College of Medical Genetics (ACMG): consumo de 400 microgramas por dia, de preferência já iniciando um mês antes da gestação, até o terceiro mês da gestação. Esse uso, além de proteger contra malformações e autismo, é comprovadamente seguro para a mãe e o bebê.

Fonte: SBGM